O silêncio de ouro

O que fazer para testar um homem profundamente religioso até aos limites da sua fé? Penso que foi a resposta a esta pergunta, que o filme Silêncio tentou responder. Dois padres portugueses vão em missão até ao Japão para encontrar o Padre Ferreira, que diziam as más línguas, tinha renunciado à fé cristã. Chegados à terra do Sol Nascente, podem assistir á perseguição movida aos cristãos, enquanto tentam, de forma bastante precária, espalhar a mensagem do Senhor, até que o Padre Rodrigues é capturado pelo Governador e testado até aos limites da sua fé.
  Foi com esta trama histórica, que Martin Scorcese, realizou um belo filme, aliás, como é seu apanágio. Neste filme, podemos ver o confronto religioso onde o homem tem o papel principal. Toda a conceção cristã de sofrimento como instrumento de salvação tem neste filme um relevo material, que inevitavelmente põe em causa os alicerces do homem mais crente do Mundo. Andrew Garfield foi o encarregado de dar vida ao Padre Rodrigues, e pode-se dizer que esteve bastante bem, neste papel, que seguramente terá sido o mais difícil que fez até agora na sua curta carreira. 
 O melhor que se pode dizer deste filme, além, da realização, dos atores e da história, que foram muito bons, é que nos deixa a pensar. Primeiro de tudo, da inutilidade do sofrimento humano, como expiação de uma vontade divina inescrutável. Em segundo, da sorte que alguns de nós temos, por viver em tempos e em países, onde há liberdade religiosa e ninguém é perseguido e queimado vivo por rezar a um Deus diferente.

   

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