Mensagens

Um salto na nostalgia

 Gosto muito de séries e filmes sobre viagens no tempo. Além de ser um assunto fascinante dentro da temática do sci-fi, é também interessante ver como os criadores de conteúdos se desenrascam para produzir ficção de qualidade sobre um tema tão complexo. É certo que podem sempre escudar-se numa certa giria cientifica para darem um ar de seriedade á coisa. No entanto, chega a um ponto em que esse verniz estala se nao houver um enredo minimamente interessante por trás.   Dei por mim a ver as duas temporadas da nova série Quantum Leap iniciada em 2022. Tinha gostado muito da série original que vi nos anos 90 na televisão protagonizada por Scott Bakula. A premissa é brutal. Um cientista entra num acelarador quântico e fica preso no passado saltando de corpo em corpo e de ano em ano na esperança de um dia dar o salto definitivo para o seu presente. O saltador desta nova toma é um individuo de origem coreano, cuja personagem tem o nome de Dr. Ben Song. Tal como na série original...

O Deus da Fúria

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 Escrito a duas mãos por Phillip K. Dick e Roger Zelazny , O Deus da Fúria , relata a história da peregrinação( ou pilg) de Tibor Mcmasters sobre uma terra transformada por um holocasto nuclear desencadeado por Carlton Leuftafel, apelidado por Deus da Fúria. É uma obra que roça por vezes o delirante, com um sem número de seres modificados pela radiação a pulularem por todo o livro. Tem uma parte interessante, que versa sobre a religião, sendo que a maioria dos sobreviventes são devotos ao Deus da Fúria, havendo ainda alguns que permanecem fieis ao Cristianismo, como é o caso de Peter Sands, que vai atrás de Tibor, na procura por Carlton Leuftafel. De resto, não é um livro muito cativante, muito por culpa do delírio que foi a descrição de todas as novas criaturas criadas pela radiação. 

Os Despossuídos que nos possuem

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Uau, que livro!!! Os Despossuídos de Ursula L K. Guin, é daquelas obras que tem tudo. Primeiro a história. Centra-se ao redor do personagem principal, chamado Shevek, que vive no planeta Anarres, uma lua de Urrás, para onde os Odonistas se mudaram quando tentaram fazer uma revolução em Urrás e não conseguiram. Os Odonistas criaram uma sociedade muito parecida à preconizada pelos anarquistas, onde não havia dinheiro e ninguém tinha quaisquer posses. Urrás era muito parecida com a Terra, havendo uma espécie de guerra fria entre A-Io e Thuvin. A Narrativa centra-se na história pessoal de Shevek, desde a infância até à idade adulta em Anarres, até à sua pequena aventura em Urrás.   É de salientar, que o livro é muito bem escrito. A descrição imaginativa das paisagens e da vivência comunitária em Anarres é excelente. Deixou-me ao mesmo tempo preso e fascinado. Shevek é um personagem imenso, onde podemos sentir todos os conflitos internos da sua experiência nos dois planetas. Palmas ...

Os Amaricanos andem aí

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 Já há algum tempo que tinha Os Americanos na minha lista da Netflix, mas por qualquer motivo tinha alguma resistência em começar a vê-la. Tinha medo que fosse uma seca e que não fosse gostar, mas, depois de ver a primeira temporada só a posso classificar com um adjectivo. Espectacular. É certo que a mesma tinha boas criticas, sem que fosse muito publicitada ( O que é sempre um bom sinal ), e a verdade é que há muito pouco de negativo a apontar. A premissa é excelente. Um casal de espiões soviéticos infiltra-se na sociedade americana fazendo-se passar por autênticos cidadãos estadunidenses. Como vizinho do lado, têm um agente de contra espionagem do FBI, que, por seu lado, recruta, uma funcionária da embaixada soviética, como sua informadora. A dinâmica do casal de espiões é muito boa, assim como as cenas do FBI. Sem ter efeitos especiais espalhafatosos, é uma série nesta primeira temporada, vale claramente pela trama narrativa, e pelo trabalho dos atores que é fantástico. Ah, um...

Um Futuro brilhante

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  Mensagens do Futuro, da Colecção Argonauta , é uma recompilação de contos de vários autores famosos de ficção cientifica, organizadas pelo mestre do género Isaac Asimov , e onde podemos encontrar por exemplo uma história escrita por Arthur C. Clarke . São contos excecionais e extremamente bem escritos que captam a tenção do leitor. São quase todos bastante breves, tirando um, que por acaso, foi o que gostei menos, que narrava a epopeia de uma tripulação espacial perdida, numa época diferente da sua. É uma história que demonstra claramente um certo ódio aos homens. No restante, podemos encontrar de tudo, desde máquinas de lavar assassinas, genocídios populacionais, passeios no espaço com acompanhantes inesperados, extraterrestres infiltrados no meio de nós e por fim, como reverter a entropia do universo. Este livro é ideal, para quem se quer iniciar na leitura de ficção cientifica e tem medo de se perder nos meandros imaginativos de um longo romance. 

Um livro sem luz

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Esta é uma obra impregnada de tristeza e melancolia. São várias histórias invulgares sobre homens solitários e resignados com a falta de alegria na vida deles. Nem mesmo o amor consegue trazer alguma luz á sua existência.  Demorei bastante tempo para ler este livro. É uma obra bastante pesada, quase experimentalista. Suponho que para um escritor não é fácil fazer um livro inteiro sobre a solidão e nesse aspeto penso que o João Tordo foi arrojado, apesar de ser um bocado penoso ler o livro. Para quem é apreciador do estilo do Kafka, que não é o meu caso, pode ser uma boa experiência. No entanto, penso que o título resume bem o que está em falta.

Faz sentido ler este livro

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Não sou nenhum voyeur das histórias de campos de concentração nazis. Aliás, parece-me um período que não tenho qualquer interesse em explorar, de tão negro que foi. Não engrosso o pelotão de pessoas que acha que deve ir a Auschwitz. Para mim longe desse lugar.   No entanto, o livro de Vitor Frankl tocou-me profundamente. Sendo psiquiatra de formação, o autor descreve a sua experiência no campo de concentração, do ponto de vista clínico. Em resumo, qual o sentido da vida de um homem, que perdeu tudo, inclusivamente o seu direito a ser humano? Todo o relato é extraordinário e revela uma verdade profunda e que muitos de nós, incluindo eu não nos apercebemos. O Homem tem uma capacidade de sofrimento tremenda e é muito mais que as circunstâncias que o rodeiam. Mesmo nas condições mais terríveis e desoladoras, muitas pessoas conseguem-se aferrar à vida e dar sentido à mesma. Porque ao fim e ao cabo, não será a vida, um exercício prático de tolerância ao sofrimento e ao tédio? ...