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A mostrar mensagens de maio, 2017

Fragmentado mas tremendamente consistente

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M Night Shayamalan é aquele realizador sempre virado para o oculto, o paranormal e o extraordinário e Fragmentado não foge da temática habitual do cineasta. Desta vez, a história envereda por um individuo que tem 23 personalidades diferentes e que rapta 3 raparigas, com o intuito que uma 24ª personalidade, mais forte que todas as outras venha à superfície.    O filme, como a maioria das suas obras anteriores é excelente. James McCavoy é monstruoso e devia ter levado o Oscar para melhor ator. Um gajo que além de fazer várias personagens ao mesmo tempo, tem que saltar de umas para outras em poucos instantes e fá-lo de uma maneira tremenda tem que ganhar algum prémio certo?    Só por ele já valia, a pena, mas uma história assim, com um personagem assim, poderia facilmente cair no ridículo. Penso que só este realizador poderia dar força e consistência a um filme assim. Por vezes quando há películas com tanta qualidade como esta é inútil estar a escrever. A melhor c...

Uma Náusea que não enjoa

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 Devo dizer, que fiquei surpreendido pela positiva com a Náusea . Tenho sempre algum receio de obras feitas por filósofos, que muitas vezes entram por caminhos incompreensíveis e que me deixam com uma sensação de vazio, quando os acabo de ler. Se calhar é mesmo essa a intenção deles. Jean Paul Sartre descreve o seu quotidiano de uma forma lúgubre, mas com uma linguagem extraordinária. Foi graças a isso aliás, que me fez gostar deste livro. É que o autor é um extraordinário escritor, e graças a isso, conseguiu descrever de maneira eloquente o seu dia a dia e os estados de alma que o assolavam, tarefa que convenhamos, não é nada fácil. A Náusea é uma viagem ao mistério da existência humana, aos seus comportamentos, crenças e ao porquê do mundo que nos rodeia ser experimentado de formas diferentes pela consciência individual. Pelo que percebi, Sartre faz uma critica, ás razões que levam as pessoas a justificarem a sua existência, sem nunca, verdadeiramente se questionarem a fundo sob...

A Verdade e só a verdade

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 Há filmes que vivem para o espetáculo, que produzem um sem número de efeitos especiais que nos deixam sem fôlego, mas ao mesmo tempo nos atordoam o cérebro de tal maneira que depois de terminarmos o seu visionamento, ainda ficamos um bom tempo a tentar reativar as células cinzentas na nossa cabeça. E depois, há filmes como Nothing But the Thruth , que são como uma espécie de aula dada de forma bastante interessante e que nos elucida sobre um dos principais pilares da democracia. Os limites da liberdade expressão.  Um tema tão pesado podia correr o risco de deixar os espetadores a dormir a meio, mas este filme conseguiu elaborar o tema de uma forma tão cuidada que foi impossível ficar indiferente. Parabéns, para todos os atores que estiveram brilhantes. Nunca antes A Kate Beckinsale se tinha revelado perante mim como uma intérprete de mão cheia, como neste filme. Supresa número dois, Vera Farmiga. Quem diria que também ali há uma atriz?  Se no inicio o trabalho com a...

Bonito e Eficaz

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Os 7 Hábitos de Pessoas Altamente Eficazes de Stephen Covey, é um dos melhores livros de aperfeiçoamento pessoal que já li. Isto porque, se centra no desenvolvimento interior do individuo, focando-se mais no desenvolvimento pessoal do que, no desenvolvimento de técnicas que são externas ao mesmo. O autor alia assim alguma dose de espiritualidade ao sucesso, impedindo assim que a sua mensagem seja mais do mesmo no que concerne á literatura sobre estes temas.   Stephen Covey enfoca-se muito nas sinergias que podemos estabelecer com outras pessoas, realçando a importância das mesmas enveredarem por Estratégias de Vencer/ Vencer, em vez de Perder/ Vencer. O sucesso é assim medido, não apenas pelos resultados materiais individuais, mas também pelo engajamento coletivo. Daí a importância que o autor dá á declaração de Missões tanto individuais, como nas empresas, mas onde todos os trabalhadores possam estar envolvidos.  Além de ser uma obra inspiradora, transmite uma important...

O silêncio de ouro

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O que fazer para testar um homem profundamente religioso até aos limites da sua fé? Penso que foi a resposta a esta pergunta, que o filme Silêncio tentou responder. Dois padres portugueses vão em missão até ao Japão para encontrar o Padre Ferreira, que diziam as más línguas, tinha renunciado à fé cristã. Chegados à terra do Sol Nascente, podem assistir á perseguição movida aos cristãos, enquanto tentam, de forma bastante precária, espalhar a mensagem do Senhor, até que o Padre Rodrigues é capturado pelo Governador e testado até aos limites da sua fé.   Foi com esta trama histórica, que Martin Scorcese, realizou um belo filme, aliás, como é seu apanágio. Neste filme, podemos ver o confronto religioso onde o homem tem o papel principal. Toda a conceção cristã de sofrimento como instrumento de salvação tem neste filme um relevo material, que inevitavelmente põe em causa os alicerces do homem mais crente do Mundo. Andrew Garfield foi o encarregado de dar vida ao Padre Rodrigues, e p...

Chefes talvez não, mas dão bons gerentes admnistrativos

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Depois de uma seca de vários anos sem ir à Queima das Fitas de Coimbra, eis senão quando a música me força a regressar aquele antro de jovens embriagados, que vagueiam sem rumo tentando se desviar das poças que nos últimos dias foram criadas pela intensa chuva que assolou a cidade.( Eu fui uma das vitimas dessas infames poças ) Os Kaiser Chiefs , banda que esteve em voga há uns anos na cena pop rock internacional, aterraram em Coimbra e deram um concerto bastante honesto. Começaram logo com dois dos temas mais conhecidos, o que me fez recear, pelo resto do concerto. De facto, o mesmo andou ali a marinar um bocado, de tal forma que me obrigou a furar por entre o grosso da multidão, ( que não era muito espesso, felizmente), para ir buscar uma cerveja. Estava eu nestes preparos, quando dos altifalantes, começa a soar Ruby , e digamos que foi o rastilho ideal para incendiar as hostes e fazerem um resto de concerto bastante bom. Se a nível musical não são propriamente entusiasmantes, ( c...

Empurre-me daqui para fora

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Digamos que este Push foi um daqueles filmes que resultaram numa mão cheia de nada. O resultado era inevitável tal a confusão da história. É o que dá, quando se põem pessoas com poderes diferentes tudo no mesmo saco, sem pensar bem no que daí poderá vir. Especialmente quando nesses poderes há pessoas que conseguem ler o futuro. Tentar fazer algo consistente, quando o clímax da história, é precisamente tentar enganar pessoas que vêm o que aí vem ( Os observadores ), é extremamente arriscado e tem como resultado uma verdadeira salganhada sem sentido.   De positivo, destaco algum arrojo visual, misturado com uma banda sonora bastante decente, mas isto é algo que se dilui na mediocridade e non-sense da história.

Uma cidade nada perdida

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Fui até ao cinema ver A Cidade de Perdida de Z , levado pela curiosidade de saber como seria a versão cinematográfica da história de Percy Fawcett, uma assunto que eu tinha investigado á um tempo atrás para uma coisa que estava a escrever. Admito que as minhas expectativas não eram muito altas, devido principalmente á fraca qualidade do cinema hollywoodesco atual.  Mas, tenho que admitir, o filme é muito bom. Desde logo, houve muito cuidado na sua realização, o que transpareceu claramente no resultado final. As cenas da selva, são bastante intensas, sem haver nenhuma ação de monta, os atores conseguiram transmitir a sensação de dificuldade que deverá ter sido a exploração na selva amazónica nos inícios do séc. XX. Penso que o mais extraordinário deste filme, demarcando-o claramente de outros filmes de aventura, foi a opção de apostar na densidade psicológica das personagens ao invés de carregar a obra, com cenas de aventura duvidosas. Nisso, tanto o realizador, como os atores es...

Viva José

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Um homem, uma guitarra, alguma amplificação de voz, e uma sistema de luzes brutal, foi com estes ingredientes, que Jose Gonzalez cozinhou um concerto fantástico, no Convento de São Francisco, em Coimbra.  Não foi há muito tempo que fiquei a conhecê-lo através de um mini concerto para uma estação de rádio que vi, no youtube, mas de pronto fiquei fã do artista. Durante o espetáculo, em Coimbra, fiquei a conhecer mais algumas música do mesmo e a apreciá-lo ainda mais. A música de José Gonzalez, é como um bálsamo para a alma, um porto seguro de tranquilidade melódica onde podemos descansar do ruído cacofónico e desarmonioso do dia-a-dia. Só este desprender, já era suficiente, para o escutar em concerto, mas o artista alia a calma ao virtuosismo. Nas suas músicas mais batidas, ele consegue multiplicar o som da sua singela guitarra, numa banda completa, fazendo-nos esquecer que é só um homem e o seu instrumento. no alinhamento fizeram parte temas fortes como Cycling Trivialities ou L...

Um trovão que clareia

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O filme Como um Trovão, foi aquilo que se pode chamar uma agradável surpresa. Eu já tinha visto trechos espaçados da obra e tinha ficado com boa impressão, mas hoje, depois de ver o filme completo, a minha opinião favorável ficou ainda mais fortalecida. È uma obra que gira á volta de quatro personagens, dois pais e dois filhos, interligados entre si, pelo destino, que agruras da vida teimou em os cruzar. O declínio de Ryan Gosling, coincide com o começo da ascensão de Bradley Cooper, até que finalmente a volta da vida, tenta de novo repor o equilíbrio perdido. Não sendo um filme espiritual, é claramente uma obra que fala sobre o Karma que carregamos nas nossas vidas, e como a sua misteriosa força, positiva ou negativa se abate sobre as personagens, nos momentos devidos. A história está sem dúvida muito bem conseguida, e os atores em grande forma. È um daqueles filmes que tal como o algodão, não engana, transmite exatamente aquilo que quer transmitir, sem grandes artificios, mas com fo...

As aventuras de Marco Polo na terra dos Khans

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Demorei algum tempo, mas com algum custo lá consegui ver as duas temporadas que compõem a série Marco Polo, do Netflix. E que dizer sobre ela? Uma pessoa fica com um sabor agridoce, ainda para mais tratando-se de uma superprodução. Mas, ao terminar o seu visionamento, percebe-se porque a mesma foi cancelada, mesmo com a narrativa a ter ficado completamente em aberto.   A história é extremamente interessante e centra-se no período áureo do Império Mongol, liderado pelo anafado e rosáceo, Kublai Khan. Marco Polo é abandonado pelo seu pai na corte do Khan dos Khans, e vai a pouco e pouco se integrar nos costumes e vivências da mesma. Apesar de dar nome á série, a personagem de Marco Polo é uma de muitas que pulula nesta mega-produção, sem se destacar como a figura principal da mesma. A trama é composta por conspirações, golpes palacianos, lutas de poder e ações extremamente reprováveis. Os atores, na sua generalidade são fraquissimos, o que empobreceu claramente a qualidade das per...

ET´s que trouxeram o próprio telefone

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O Primeiro Encontro ( não, não é uma comédia romântica), tinha tudo para ser um daqueles filmes de culto, passível de ser mencionado por várias pessoas como um filme que lhes marcou a vida, e fez ver as coisas de maneira diferente. Uma daquelas obras cinematográficas, em que há um antes e um depois. O realizador Dennis Villeneuve provinha de um circuito mais alternativo, os atores com provas dadas( alguns pelo menos), o tema era espetacular, mas no fim... ficou aquela sensação de que a obra ficou aquém. E isto porquê? Digamos que o desenlace foi um bocado infantil e como eu não gosto de estragar surpresas vou só dizer que envolveu um simples telefonema. Nenhum dos atores se destacou, sendo que a maior parte do filme girou em torno da personagem encarnada pela Amy Adams. Esta bem se esforçou, mas esteve longe de ser brilhante, como por exemplo o esteve na Golpada Americana( Para ser franco todos estiveram brilhantes nesse filme). Ela fez algumas vezes aquela cara de chorona que ela tão...