Um salto na nostalgia
Gosto muito de séries e filmes sobre viagens no tempo. Além de ser um assunto fascinante dentro da temática do sci-fi, é também interessante ver como os criadores de conteúdos se desenrascam para produzir ficção de qualidade sobre um tema tão complexo. É certo que podem sempre escudar-se numa certa giria cientifica para darem um ar de seriedade á coisa. No entanto, chega a um ponto em que esse verniz estala se nao houver um enredo minimamente interessante por trás.
Dei por mim a ver as duas temporadas da nova série Quantum Leap iniciada em 2022. Tinha gostado muito da série original que vi nos anos 90 na televisão protagonizada por Scott Bakula. A premissa é brutal. Um cientista entra num acelarador quântico e fica preso no passado saltando de corpo em corpo e de ano em ano na esperança de um dia dar o salto definitivo para o seu presente. O saltador desta nova toma é um individuo de origem coreano, cuja personagem tem o nome de Dr. Ben Song. Tal como na série original, tem um holograma que lhe dá apoio durante os saltos. Neste caso, é a sua namorada no presente Addison. Ao que parece viajar no tempo não é muito bom para a memória e o pobre do Ben passa grande parte da primeira temporada sem saber que a Addison era a sua cara metade o que traz grande sofrimento á pobre da rapariga. Há tambem uma equipa na retaguarda que faz tudo para que o Ben regresse a casa e é composta pelo Magic, que era o motorista dos Caça-Fantasmas originais e o Boss da pandilha, a Jen e um individuo com fluidez de género que é o génio principal. Numas aparições secundárias há a mulher( que o Magic depois papa) e a filha do holograma da série original, o Al Calavicci.
Atenta aos novos tempos, o programa pisca o olho fortemente ás questões LGBT, pois além do génio, muitos saltos estão relacionados com essa temática. Achei a série muito bem feita, tendo em conta, o tema que era bastante dificil. Os atores não são por aí além, mas neste tipo de programas isso não é propriamente o mais importante. No entanto, dou uma menção honrosa ao ator que fez de Ben Song. As duas temporadas não diferem muito de qualidade se bem que os arcos narrativos são ligeiramente diferentes. Penso que os argumentistas se safaram bem neste aspeto. A série poderia ter tido mais temporadas que eu veria com todo o gosto, mas hoje em dia como á muita oferta cancelam-se coisas com qualidade com demasiada facilidade. Uma vez que o saltador da série original estava perdido podiam ter explorado um pouco essa linha se quisessem continuar. Em conclusão, gostei bastante, os saltos eram extremamente interessantes e o enredo principal também. O final, apesar de ser relativamente feliz, foi um bocado insipido, mas não mancha a qualidade geral do produto.
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